Moreno: «Temos de encarar o jogo como se fosse uma final»

Transmontanos começam obrigatoriamente a ter de encarar todos os jogos como autênticas… ‘finais’; portuenses estão ligeiramente mais tranquilos e querem acentuar curva ascendente; voltará a haver festa para os lados da Serra do Marão?

O cerco aperta-se e o Chaves começa a ficar com margem reduzida no que concerne às contas da permanência. Já o Boavistaque há um par de semanas também andava pelas ruas da amarguraparece estar em retoma e os quatro pontos conquistados nas duas últimas jornadas permitiram aos do Bessa respirarem um pouco melhor. Há, ainda assim, muitas contas para fazer até final do Campeonato, nada está decidido, mas a conquista de pontos começa a assemelhar-se a um autêntico… balão de oxigénio.

É muito assente neste quadro clínico que o Estádio Engenheiro Manuel Branco Teixeira, em Chavesrecebe, esta tarde, um dos duelos da 22.ª jornada da Liga. Que se prevê (bastante) intenso e, porventura, até escaldante. Porque muita coisa pode (começar a) estar em causa.

Olhando para a tabela classificativa, não há qualquer dúvida: o Chaves está numa situação altamente perigosa. O 18.º e último lugar ocupado pelos flavienses preocupa (e de que maneira…) toda a estrutura do clube, mas em Trás-os-Montes ninguém atira a toalha ao chão. Afinal, (ainda) há 39 pontos em disputa e o quadro pode mudar de feição a qualquer momento.

Mas, para os valentes transmontanos, ainda não é hoje que a pintura ficará mais… atraente. Tudo porque, mesmo em caso de triunfo diante dos boavisteiros, os flavienses têm a garantia de que não conseguirão terminar a ronda fora dos lugares de despromoção. A melhor coisa que pode acontecer é, e sempre em caso de vitória esta tarde, ultrapassarem o Vizela17.º e penúltimo classificado, que está a dois pontos de distância. Já o Casa Piedosaque está no lugar imediatamente acima (e aquele que, no final da temporada, dará origem à disputa do Pague de permanência/descida diante do 3.º classificado da Liga 2) tem, por esta altura, 20 pontos, mais quatro que o Vizela e mais seis que o Chaves.

Já o Boavista chega à zona da Serra do Marão com um ligeiro conforto conseguido recentemente, uma vez que somou quatro pontos nas duas últimas jornadas, facto que permitiu ao conjunto orientado por Ricardo Paiva chegar ao 10.º lugar (24 pontos).

CHAVES

A ronda anterior travou aquilo que parecia ser a retoma da formação de Moreno Teixeira. A derrota sofrida no terreno do Moreirense (0-1) interrompeu um ciclo de três jogos consecutivos sem perder, apesar de, nesse período, os triunfos terem continuado arredados do dicionário do Chaves.

Mas foram três empates – Rio Ave (0-0), SC Braga (1-1) e Farense (1-1) – que tinham dado a sensação de que o regresso às vitórias estaria perto de acontecer. Porque além dos pontos somados nestas partidas, as exibições dos flavienses foram positivas.

Até porque, acrescente-se, esses duelos com vila-condenses, bracarenses e algarvios surgiram no seguimento de uma sequência negativa, de quatro derrotas e um empate nos cinco jogos anteriores.

É, pois, necessário recuar mais de dois meses e meio para aferir a última vitória do ChavesLiga: foi a 1 de dezembro, na receção ao Vizela (2-1), jogava-se, então, a 12.ª jornada da Liga.

A margem é cada vez mais curta e, daqui para a frente, qualquer embate passa a ter cariz de decisivo para os valentes transmontanos. Porque além de terem, obrigatoriamente, de começar a ganhar os seus jogos, também vão começar a precisar de deslizes dos adversários.

Equipa provável (3x4x3): Hugo Souza; Vasco Fernandes, Steve Vitória e Júnior Pius; João Correia, Dário Essugo, Rafael Guzzo e Sandro Cruz; Rúben Ribeiro, Jô Batista e Héctor Hernández

Ferido: Pedro Pinho

Punido:

Figura: Héctor Hernández

É incontornável que o ponta de lança seja considerado o principal destaque dos flavienses. Mesmo numa temporada bastante aquém das expectativas ao nível coletivo, o espanhol tem tentado de tudo para evitar o prolongamento do mau momento da equipa e continua de pé quente. São 10 golos em 21 jogos, ou seja, quase um golo a cada dois jogos. Sendo que o Chaves tem apenas 20 tentos apontados na Liga, o que significa que o número 23 tem… metade desse registo. E além da eficácia na finalização, Héctor Hernández é um lutador nato, dá tudo em cada lance e raramente apresenta problemas físicos. Esta tarde, na receção ao Boavista, até pode ter a companhia de outro ponta de lança – Jô Batista ou Paulo Victor -, o que, a confirmar-se, permitirá ao espanhol ter um raio de ação ainda mais alargado. Mas jogando em cunha ou sozinho, a sua mira estará, com toda a certeza, apontada à baliza das panteras…

A antevisão de Moreno Teixeira (treinador do Chaves):

Moreno: «Temos de encarar o jogo como se fosse uma final»

Palavras do treinador do Chaves antes da receção dos transmontanos ao Boavista

BOAVISTA

Empate com o Casa Piedosa (0-0) e vitória diante do Estoril (2-1). Foram estes os dois últimos resultados do Boavista e, dessa forma, o clima acalmou para os lados do Bessa.

Os quatro pontos alcançados já neste mês de fevereiro permitiram estancar uma série de duas derrotas consecutivas – Benfica (0-2) e Portimonense (1-4) – e, acima de tudo, fugir dos lugares mais perigosos e galgar algumas posições na pauta classificativa.

Mas o momento, apesar de ser bem mais positivo, continua a requerer alguma prudência. Porque, afinal, os axadrezados ainda só têm 24 pontos e uma eventual derrota esta tarde pode dar origem a um retrocesso. Para isso, convenhamos, será também necessário aguardar pelos resultados das equipas que estão imediatamente atrás do Boavistacasos de Gil Vicente (22 pontos), Estrela da Amadora, Estoril e Portimonense (todos com 21 pontos).

Equipa provável (4x2x3x1): João Gonçalves; Pedro Malheiro, Sasso, Rodrigo Abascal e Filipe Ferreira; Makouta e Sabá Pérez; Bruno Lourenço, Miguel Reisinho e Salvador Agra; Roberto Bozenik

Ferido: CesarLuís Henrique, Consertá-loAugusto Dabó e Luís Santos

Punido:

Figura: Robert Bozenik

Se Héctor Hernández tem sido o abono de família do Chaves, Robert Bozenik tem levado o Boavista às costas. Olhando aos números de ambos os jogadores e de ambos os clubes, estamos na presença de um autêntico duelo de titãs no que concerne aos dois pontas de lança. O internacional eslovaco leva já 10 golos marcados em 2023/2024 (oito na Liga e dois na Taça de Portugal), mas além dessa eficácia tem também um grande peso nas movimentações ofensivas dos axadrezados, uma vez que joga bem em apoios, muitas vezes de costas para a baliza, e isso permite aos companheiros desdobrarem-se nas tarefas no último terço e causarem desequilíbrios nas defensivas contrárias. Dentro da área, já se sabe, o número 9 é letal…

A antevisão de Ricardo Paiva (treinador do Boavista):

Ricardo Paiva antevê Chaves: «Será um jogo com elevado grau de dificuldade»Ricardo Paiva antevê Chaves: «Será um jogo com elevado grau de dificuldade»

Técnico do Boavista espera encontrar dificuldades em Trás-os-Montes

Os dados estão lançados e em Trás-os-Montes a temperatura promete ser… elevada. A previsão não tem que ver com o estado do tempo, antes com a luta pelos pontos. Que promete ser feroz, tamanha é a necessidade. O Chaves está obrigado a vencer, o Boavista também não descurará, evidentemente, regressar à cidade Invicta com os três pontos na bagagem. Será a fibra flaviense a ser testada no limite pela fúria da pantera…

Salvador Agra bateu Hugo Souza e foi um dos autores dos tentos da goleada do Boavista sobre o Chaves no jogo da primeira volta (4-1). Tiago Morais e Robert Bozenik (2) também fizeram o gosto ao pé nessa partida

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